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  • Josuel Junior

Precisamos falar de... Financiamento Cultural Coletivo

Em tempos em que a arte e a cultura são atacados por setores conservadores e nada progressistas da sociedade, artistas se unem para elaborarem projetos de financiamento coletivo.


Público do 1/4 de Cena - Ádon Bicalho

É, meus camaradas... Os novos tempos repetem um passado que não gostaríamos de rever. Editais cancelados, dificuldades em tocar projetos culturais. Pensando nisso, coletivos de Brasília recorrem aos Financiamentos Coletivos em prol da continuidade da arte.


ENTENDA O CASO...


Foto de manifestação dos artistas por Juliana Caribé

O edital FAC - Áreas Culturais de 2018 foi lançado, como em todos os anos anteriores, e mesmo após a divulgação dos Habilitados e Aprovados após análise de Mérito Cultural das propostas do entes e agentes culturais do Distrito Federal o resultado foi divulgado. Com a troca de governo (sai Rodrigo Rollemberg e entra Ibaneis Rocha), a Secretaria de Cultura (SECULT), que passou a se chamar Secretaria de Cultura e Economia Criativa (SECEC), decidiu cancelar o edital, o que causou forte comoção na classe artística. O processo ainda está correndo, porém alguns projetos que haviam sido aprovados no edital para recebimento de verba de incentivo cultural não puderam seguir conforme previsto. Como solução emergencial, alguns coletivos estão aderindo aos financiamentos coletivos para que as propostas não deixem de ser realizadas, como é o caso do Festival Cena Universitária de Brasília (o CéU) e o Festival ¼ de cena , que, comprovadamente, são eficazes na construção e troca de saberes, formação de plateia, engajamento sociocultural e incentivo à cadeia artística produtiva local.


FESTIVAL 1/4 DE CENA


A segunda edição do Festival ¼ de cena , programada para o segundo semestre de 2019, chega para completar a movimentada safra atual do teatro brasiliense. O projeto possibilita que um maior número de trabalhos independentes possam ser produzidos na cidade, com espaço de apresentação e circulação disponíveis. A diversidade de estéticas e linguagens é uma das fortes características do festival, que reúne grupos, coletivos e artistas individuais de maneira democrática e ampla.


A atriz Ana Luiza Bellacosta recebendo prêmio do Festival - Adon Bicalho

O ¼ de cena nasceu em 2017 com a proposta de ser bienal e está dedicado a promover o trabalho de artistas cênicos independentes, grupos e cias de todo o território do Distrito Federal. O objetivo do festival além de provocar a criação, produção e circulação das artes da cena curta quer fortalecer redes criativas, integrar a cadeia produtiva das artes e ampliar os intercâmbios com outros festivais desta categoria em território nacional e latino americano. A primeira edição teve o financiamento do Fundo de Apoio a Cultura do GDF em 2017 e foi sucesso entre a comunidade artística e público em geral, já  a 2ª edição do 1/4 de Cena Festival de Cenas Curtas é uma iniciativa independente, de continuidade, de reinvenção, de resistência, de sobrevivência coletiva. Para isso a equipe de produção, composta por artistas parceiros estão com uma campanha de financiamento coletivo pela plataforma  Vakinha. Segue abaixo o link para quem tiver interesse em contribuir para a realização dessa segunda edição do evento: http://vaka.me/647080 .


Como não há tempo para só começar a produção após o período de arrecadação, as inscrições para os novos participantes já estão abertas a artistas cênicos do DF de 02/07/19 a 18/08/2019. Para se inscrever, basta preenher o formulário:

https://forms.gle/oK2QLt9EtME4dhqRA


SELEÇÃO

O festival selecionará através de curadoria composta por artistas convidados, 12 cenas curtas propostas por artistas cênicos, coletivos, grupos do Distrito Federal, de diferentes linguagens como dança, circo, teatro, performance, processos experimentais, inéditos ou não para apresentação em mostra que será realizada entre os dias 17 a 20 de outubro no Teatro SESC Garagem, da 913 Sul, sempre às 20h. A cerimonia de premiação será realizada no dia 20.10 com a participação de artistas e músicos convidados.


Foto: Ádon Bicalho

Durante os três dias de mostra, público e júri convidado escolherão as melhores cenas. Cédulas de votação serão distribuídas ao público e a cada dia da mostra uma cena indicada pelo voto popular será premiada. O júri, composto de artistas locais e nacionais, irá escolher uma cena, considerando questões como interpretação, dramaturgia, composição e presença. Assim, as 12 cenas apresentadas concorrem a quatro premiações, uma por dia, pelo público e uma geral pelo júri. Ao todo, a seletiva na primeira edição contou com 140 inscrições de cenas curtas de até 15 minutos.


CéU - CENA UNIVERSITÁRIA DE BRASÍLIA


Outro importante festival de Brasília é o CéU. Em sua primeira edição em 2017, o Festival Cena Universitária Nacional de Brasília contou com a inscrição de 88 projetos de todo o Brasil, envolvendo mais de 850 artistas-pesquisadores. Deste total, foram selecionados 104 artistas de 8 diferentes instituições universitárias públicas do Brasil. No âmbito local, envolveu as principais instituições de ensino em artes cênicas do DF (UnB, Dulcina de Morais, IESB e IFB) e nomes importantes como Fernando Villar, Adriana Lodi, Alaor Rosa, Hugo Rodas e Fernando Guimarães entre outros.

Reprodução: Facebook

O CéU surgiu como um espaço que busca ampliar o diálogo da produção universitária do DF em diálogo com outras regiões do Brasil. A partir do acesso aos espetáculos e as atividades formativas promovidas através do Festival, alunos, professores, profissionais de teatro e a toda comunidade do DF, tem a oportunidade de partilhar conhecimento e ainda estabelecer vínculos criativos, pesquisa e formação. A primeira edição contou com espetáculos e artistas das mais renomadas universidades do Brasil (USP, UNB, UFBA, UEA, UFCE, UFRJ, UFU, Escola Martins Penna, UniCampi entre outras).


Ateliê 23 - Foto: Carol Marimon / Claraboia Digital

As apresentações dos espetáculos estão vinculadas a debates e análises, que por seu elevado nível didático pedagógico, graças ao corpo de professores-artistas, cumpre papel decisivo no estímulo à criação e à indução de novas experiências cênicas por meio de uma crítica fortemente reflexiva de caráter eminentemente construtivo.

A continuidade deste projeto se faz necessária, por permitir uma valorização do que está sendo produzido no Distrito Federal e sua difusão em âmbito nacional e por proporcionar a comunidade local e aos estudantes um contato direto com pesquisas e pesquisadores de vários estados do Brasil. Realizar esse Festival é acreditar que ações de investimento na formação de jovens artistas é fundamental para a construção do cenário artístico local e nacional.


Para contribuir, acesse https://www.vakinha.com.br/vaquinha/642343.


Nós sabemos que dentro da esfera artística, a cooperação realmente faz a força. Obviamente, é mais fácil negociar com os produtores, atores e equipe fixa dos projetos. Algumas funções que lidam diretamente com locação (como é o caso de aluguel de equipamento de som e luz e aluguel de teatro ou espaço cênico) são mais difíceis de serem articuladas. No entanto, as crises nos ensinam que não adianta pedir apenas aos colegas mais próximos que flexibilizem os valores de cachês e honorários diversos. Nenhum teatro sairá da crise se os preços das locações não se readequarem também. Diminuir o valor do cachê é possível se o valor do teatro e do espaço multiuso também forem ajustados, do contrário, haverá sempre quem ganha e quem perde no meio dessa crise toda, que é geral, é nacional e é, filosófica e ideologicamente, uma das mais delicadas pelas quais nosso país já passou, pois não estamos lidando com a falta de vontade do público de ir ou não ao teatro, mas sim com a falta de vontade de permitir que outras pessoas queiram ir ou não, pois sem incentivos culturais não haverá produto para ser fruído e, com isso, não há como exigir do artista a obrigatoriedade e a responsabilidade de formar públicos, como é de costume dos equipamentos gestores atuais.


Participe, contribua como der... dê espaço aos projetos em seus jornais, em suas colunas, facilite o pagamento e o valor das locações, pois, aproveitando a máxima do jargão "Ninguém segura a mão de ninguém", tem muita gente alugando um aperto de mão.


Faça sua parte! Mesmo com muita dificuldade, os artistas estão fazendo a deles com ou sem incentivo governamental.

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